

IBICABA
Ópera em três atos
Libretto
Hanspeter Reimann (F. Godo)
Música
Hanspeter Reimann
Baseado no romance Ibicaba – O Paraíso nas Cabeças de Eveline Hasler
A ópera narra a comovente história dos emigrantes da região de Glarus e seu destino no Brasil.
Primeiro ato
Pátria em aflição – Esperança ao longe
🇧🇷 História curta: A partida rumo ao paraíso prometido
(Da Ópera IBICABA de Hanspeter Reimann)
No cantão suíço de Glarus, a vida é difícil, mas há esperança. Numa escola simples, crianças cantam sobre seu cotidiano e sobre o queijo Schabziger – símbolo do orgulho local. Fridolin, um menino alegre e estudioso, está prestes a abandonar a escola: no dia seguinte, começará a trabalhar na fábrica para sustentar a família pobre.
Seu professor, Thomas Davatz, vê isso com pesar. Para ele, a educação é como um jardim: cada criança é uma planta que precisa de tempo para florescer. Mas a dura realidade arranca seus alunos antes de desabrocharem. A pobreza obriga as famílias a enviarem os filhos para o trabalho precoce.
Enquanto isso, a jovem Barbara Simmen segue um caminho perigoso. Linda e carismática, acaba seduzida pelo patrão da fábrica, Henrique Bühler. Depois de engravidá-la, ele a rejeita cruelmente. Barbara, humilhada e sozinha, perde tudo e pensa em desistir da vida.
A crise se intensifica: máquinas inglesas ameaçam a indústria local, operários são demitidos. É nesse momento que surge Giovanni Paravicini, um agente estrangeiro com promessas sedutoras: no Brasil, diz ele, há terras férteis, mulheres lindas e riqueza garantida. Muitos, desesperados, o escutam.
O professor Davatz, entristecido com sua sala cada vez mais vazia, é convidado a acompanhar os emigrantes, como educador e guia espiritual. Primeiro hesita, mas a confiança de Fridolin e o pedido de socorro de Barbara o convencem.
No fim, os emigrantes partem cantando pelas ruas de Glarus. Com dor no coração, deixam para trás os lagos e montanhas, em direção a um futuro incerto – levados pela ilusão de um paraíso tropical chamado Ibicaba.
Segundo ato
Tempestade em alto do mar
IBICABA – Ato II
A travessia rumo ao Brasil transforma-se numa prova extrema.
A bordo do navio dos emigrantes, esperança, medo e culpa se entrelaçam. Amontoadas em um espaço reduzido, as pessoas oscilam entre o sonho de uma nova vida e o pavor do desconhecido. O oceano torna-se metáfora do destino: imprevisível, poderoso, indiferente.
Bárbara Simmen reencontra inesperadamente Peter Bannwart, seu grande amor jamais esquecido. O encontro desperta sentimentos que ela acreditava enterrados. Contudo, Bárbara vê o próprio sofrimento como castigo divino e acredita não merecer mais ser amada. Peter, ao contrário, agarra-se à esperança, mesmo contra toda razão.
Enquanto isso, Thomas Davatz luta para manter a dignidade humana a bordo. Sem sala de aula, continua sendo professor: consola, orienta, protege. Sua maior preocupação é o menino Fridolin, gravemente doente. No porão escuro e abafado, as mulheres cuidam dos enfermos, cercadas pelo cheiro de doença e medo. Suas vozes expressam desespero, mas também compaixão.
Uma violenta tempestade irrompe. O navio geme sob o impacto das ondas. No convés, os marinheiros enfrentam os elementos; no porão, mulheres rezam, choram e cantam. Em meio ao caos, Fridolin morre. Seu falecimento abala profundamente a comunidade. Em um réquiem, os emigrantes se despedem da criança — vítima inocente da travessia rumo ao suposto paraíso.
Após dias de sofrimento, ecoa finalmente o grito: “Terra à vista!”
Mas o alívio dura pouco. Na chegada ao Brasil, revela-se a verdade por trás das promessas. O poderoso senador Vergueiro recebe os emigrantes não como pessoas livres, mas como mão de obra. Com frieza, divide-os entre as fazendas. Famílias são separadas, amantes afastados à força. Bárbara e Peter são destinados a lugares diferentes. Qualquer protesto é reprimido com violência.
Davatz compreende, horrorizado: o paraíso prometido era uma ilusão.
O segundo ato termina em desengano e ruptura —
com a amarga certeza de que a verdadeira provação está apenas começando.